Senzala por Nathane Santos

Eu estando ali, naquela cidade,

Eu me deparei com a minha alma saindo do meu corpo

Algo repelindo de mim, vozes me pedindo socorro.

Vi naquelas matas, em cada pedra, cada espaço.

Eu via corpos espalhados pelo chão.

Oh! Quanta tristeza eu vi ali.

Sim, eu senti, eu senti tanta dor naquele lugar.

Meu corpo pedindo socorro, sim eu senti.

Meus avós, meus tios, meus, meus, todos meus.

Sim, meus.

Ali agoniados, dizendo parem.

Parem de dar prêmios por isso,

parem de premiar sofrimento.

Oh! Estrangeiros vindo aqui para ver o que?

Nosso sofrimento? Premiações, nomeações.

Mas nomeações a quem?

A quem nos massacrou, a que nos fez sentir piores do que nunca.

Ah! Quantos “ões”.

Não, não sinto, não quero que seja mais assim.

Cada pedaço que ali eu andava meu coração dilacerava.

Sim! Sim! Cada pedaço daquele lugar eu via uma mulher sofrendo,

uma criança pedindo socorro, homens condicionando aquilo.

Quanto sofrimento, meu corpo não queria estar ali.

Mas por que eu estava ali?

Por que eu sentia aquilo? Por quê?

Hoje eu vejo quanto sofrimento, minha alma queria sair dali.

Às vezes, eu ouço as vozes.

Elas vieram comigo.

Me ajudem, não deixem!

Eles ainda continuam, o século mudou, mudou tantas coisas.

A cidade cresceu, o país cresceu, o mundo cresceu, mas qual foi a mudança?

Hahaha! Que mudança? Nossas crianças sentem, sofrem,

nossas mulheres negras sofrem, como sofrem! Nossos homens,

oh! Nossos homens mudaram a forma de deterem poder sobre nós.

Mudou, sabe o que mudou?

Mudou o tronco pela bala, bala perdida hahaha

Perdida, o que se perdeu? Nada! Bala achada, bala encontrada.

Eles não querem ver nosso sucesso.

Eles ainda estão no poder, a história diz que sofremos,

mas não ganhamos nada, não tivemos reconhecimento por nada.

Não venham com balela, “fotinhas” nos livros de história, ah!

Sem esquecer que embranqueceram nossas fotos,

Torturando nossos corações, querendo que nos neguemos

a reconhecer nossa cor, nosso poder, sim! Somos poderosos,

mulheres , homens e crianças.

Eles querem ver nossa derrota.

Muitos de nós, ainda sofrem com isso.

Sujam-se por acharem que não tem opção,

mas não, eles  não se sujam porque são maus.

Sim, eles ainda estão perdidos.

Perdidos e ainda não se encontraram.

A reprodução está aí e vem dilacerando,

a cada dia mais e mais, nossa comunidade, nossa história.

Vocês não querem que eu vença, não me querem no poder,

mas vão ver.

Não vai ser da forma que vocês querem, não vai ser.

Vou vencer e hoje essas vozes que me seguem e me pedem socorro.

Ah! Eu não tive coragem de descer e ver o sofrimento de vocês.

Ah! Eu não tive!

Mas eu sei, não é fraqueza.

É simplesmente a sensibilidade de rever a minha, ah! Entendi,

vou lutar a cada dia, não quero prêmios e nem aclamações pelas

minhas palavras.

Quero apenas que parem.

Que parem com isto.

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Sou Nathane Santos, tenho 21 anos, moro em BH com minha mãe e meu irmão. Minha mãe é uma mulher preta e guerreira. Estudo gestão comercial e estou na batalha do dia a dia, me considero uma mulher empoderada estou no mundo para lutar e resistir, o mundo da leitura me abriu um novo leque, o mundo da literatura me fez uma pessoa muito melhor.

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1 comentário Adicione o seu

  1. viviane lino disse:

    uau, arrepiei

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