Moda, modismo e individualidades por Jey Lima

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New York Fashion Week

“A Moda não é algo que só existe nos vestidos. A Moda está no céu, na rua, tem a ver com o modo qual vivemos, com o que está acontecendo.”
Coco Chanel

Para compreender esta citação de Chanel é importante compreendermos a diferença entre moda e modismo. Modismo tem relação com as tendências de consumo de determinado momento, algo geralmente passageiro, mas que pode se tornar um item clássico. Por exemplo, quando falamos que qualquer acessório está na moda, empregamos na palavra moda o sentindo de modismo, querendo dizer que tal peça está sendo bastante usada.

Já moda, segundo teóricos como Grumbach traz o sentido de reflexo da sociedade, ou seja, maneira que usamos para expressar nossas individualidades e coletividades, intimas ou não. Entendido isso, podemos refletir sobre qual é o nosso papel e nossa mensagem diante a Indústria da Moda.

  Não é de hoje que se sabe dos efeitos colaterais dos nossos hábitos frenéticos, vorazes e egocêntricos perante o consumo de modismos. Quantas vezes não somos atraídos pelo preço baixo e pela novidade incessante de produtos e nos vemos comprando peças que não precisamos ou usaremos pouquíssimas vezes até o esquecimento no fundo do armário? Se a moda é um reflexo da sociedade e se consumimos moda para espelhar nossas individualidades, mesmo que inconscientemente, o que isso diz sobre nós?

 A indústria da moda é uma das que mais utiliza mão de obra em condição escrava no mundo: salários miseráveis, jornadas intermináveis, condições de trabalho insalubres e trabalho infantil são práticas comuns no meio. Existem sim marcas e iniciativas que vão contra esse panorama, entretanto quantos de nós nos atentamos a isso ao escolher nosso sapato, blusa ou vestido?

Atualmente um dos homens mais rico do mundo é o empresário Amancio Ortega, fundador da Inditex, empresa dona da Zara, marca conhecida pelos escândalos referente a trabalho escravo e plágio, a fortuna de mais de 79 bilhões de dólares de Ortega, foi construída em cima de consumidores como nós, que compramos sem refletirmos a origem e histórico dos produtos. Se quem fabricou nossas roupas está vivendo em condições de escravidão, o que isso diz sobre nós? Qual a imagem que projetamos para que o reflexo seja consumo exacerbado, qualidade ignorada e busca infinita por novidades?

Mas calma, nem tudo está perdido.  A OMT – Organização Mundial do Trabalho, cria e fiscaliza critérios para a abolição do trabalho escravo fazendo auditorias nas indústrias, o que está longe de ser a solução dos problemas, já que atualmente apenas 10% destas indústrias contam com auditoria. Existem também organizações privadas que lutam pela causa, expondo as marcas envolvidas em trabalho forçado, como o aplicativo Moda Livre, que classifica as marcas de acordo com o combate ao trabalho escravo.

Outra iniciativa combatente à esse cenário é a do consumidor que conta cada vez mais com a informações de fácil acesso sobre os produtos e marcas, um pouco que pesquisa antes da compra pode além de evitar um gasto desnecessário nos esclarecer sobre determinada marca. Outras formas de evitar o consumo de elementos originárias de trabalho escravo são: cuidados com a lavagem e manutenção da peça aumentando assim sua durabilidade, customização de peças reutilizando itens antigos, investir em qualidade ao invés de quantidade na hora da compra e consumir de pequenos fabricantes e brechós.

A primeira vista, essas medidas podem parecer pequenas e incômodas, entretanto, medidas simples como estas contribuem com a mudança de um cenário de abuso e individualismo, podendo construir um mundo mais justo e amigável, afinal, se pagamos para que quem produza nossas roupas viva em condições de abuso, o que isso diz sobre nós?

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Jey Lima é graduanda em negócios de moda e técnica em produção de moda.

https://www.cartacapital.com.br/economia/zara-e-autuada-por-nao-cumprir-acordo-para-acabar-com-trabalho-escravo-8409.html

htmlhttp://reporterbrasil.org.br/2011/08/roupas-da-zara-sao-fabricadas-com-mao-de-obra-escrava/

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